Adoção de tecnologia no agro na visão de Van Gogh
- Paulo Ozaki

- 20 de jun. de 2024
- 2 min de leitura
“Os sítios daqui produziriam o triplo se fossem devidamente adubados”
Esta crítica, que parece feita por um engenheiro agrônomo tentando convencer um pecuarista a adubar sua pastagem nos dias de hoje, na verdade, foi dita por Vincent Van Gogh em 1888.
Diferentemente de hoje, as atividades agropecuárias faziam parte do contexto da sociedade à época, especialmente na Holanda, país natal do artista, onde grande parte da população vivia ou tinha raízes no campo.
Isso explica, em parte, o porque do nosso querido amigo “doidão” Van Gogh entender que existiam tecnologias e práticas de manejo que possibilitavam uma maior produtividade.

Na ocasião em que Van Gogh fez aquela crítica, ele estava em uma cela no hospício de Saint-Rémy, na França, observando através das grades um agricultor trabalhando lá fora.
Para ele estava claro que a técnica de adubação, uma inovação para a época, era capaz de aumentar a renda e a qualidade de vida dos camponeses, simplesmente aumentando a produtividade.
Hoje em dia, como em 1888, é muito fácil criticar um produtor rural por não utilizar determinada tecnologia, ainda que haja provas e evidências suficientes de sua efetividade. O que muitas vezes esquecemos é que a adoção não passa apenas por uma decisão racional, econômica.
De acordo com Rogers (1962), a difusão de uma inovação, que definirá se determinada tecnologia será adotada ou não, é o “processo pelo qual uma inovação é comunicada através de determinados canais ao longo do tempo entre os membros de um sistema social”.
Percebe que a inovação em si, bem como seus benefícios, é só um dos parâmetros? Se você não pescou na definição acima, além da inovação temos também os canais de comunicação, o tempo e o sistema social.
Resolver o problema é essencial, não me entenda mal, mas entender a cultura e as pessoas das diferentes regiões, adequar a maneira de comunicar a inovação à linguagem e aos canais mais utilizados e saber que existe o seu tempo e o tempo do produtor, são igualmente importantes.
Desenvolver inovações tecnológicas é um baita desafio, mais ainda para o agronegócio. Por isso a importância de se atentar a todos os parâmetros que levam os produtores à adoção dessas inovações.
Um agro competitivo inova!













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